O BRASIL, O EVANGELHO E AS ELEIÇÕES DE 2018

Escrito por  Caramuru Afonso Francisco Set 21, 2018

O Brasil vive um momento histórico delicado e dos mais importantes dos últimos tempos, talvez o mais importante e delicado desde o retorno da democracia, ocorrido em 1985, com a instauração do que se convencionou denominar de “Nova República”.

Este novo período histórico encontrou sua base jurídica na Constituição de 1988, a chamada “Constituição cidadã”, que deu os parâmetros para esta democracia que ressurgia em nosso país.

Trinta e três anos depois, o país encontra-se em grave crise que abarca todos os quadrantes da vida. Vivemos uma crise moral sem precedentes, com os principais nomes da elite política nacional envolvidos em escândalos de corrupção, minando a total credibilidade das instituições, pois, se elas não se confundem com os homens, é evidente que jamais poderão funcionar se não houve um mínimo de homens dignos de crédito.

Vivemos uma crise econômica igualmente sem precedentes, já tendo perdido todos os benefícios decorrentes da estabilidade monetária ocorrida em 1994 com o Plano Real e com dados alarmantes que indicam que corremos o risco de encerramos esta segunda década do século XXI numa situação pior que a década de 1980, que foi chamada de “a década perdida” e que fizera o país perder todos os benefícios do forte crescimento econômico vivido nas duas décadas anteriores.

Vivemos uma crise política, pois, além de a elite política nacional ter perdido totalmente a credibilidade, não há qualquer força política ou movimento que tenha catalisado uma parte considerável da população, que, desnorteada e ainda sob o impacto das grandes transformações na área da comunicação, em especial, as redes sociais, está longe de obter consensos e conceder apoio majoritário e substantivo a qualquer projeto de país.

O resultado disso é uma falta completa de perspectivas e de quaisquer horizontes promissores, com o cenário social se deteriorando a olhos vistos, não sendo desarrazoado imaginar que caiamos, em não muito tempo, em um caos social e em uma barbárie, até porque, diante de tudo isso, vê-se aumentar sensivelmente a criminalidade e a violência, estando o crime organizado a assumir nitidamente o controle da sociedade.

Em meio a este cenário, cumprindo os ditames constitucionais, é o povo chamado a escolher seus governantes, nas chamadas eleições gerais, e eleições gerais que são as mais amplas, que ocorrem a cada oito anos, quando se renova a totalidade dos Poderes Executivo e Legislativo Estaduais e do Distrito Federal, da Câmara dos Deputados, elege-se o Presidente e Vice-Presidente da República e se renovam dois terços do Senado Federal.

Tem-se, assim, uma oportunidade única de, sem rupturas institucionais, sem impasses que exijam soluções extraordinárias e traumáticas, que sempre deixam graves sequelas, de o povo tentar mudar as coisas, efetuando uma renovação ampla nos quadros dirigentes, a fim de podermos suplantar esta crise.

É sabido que os atuais detentores do poder tudo fizeram para criar regras eleitorais que os beneficiem, impedindo, assim, a renovação que é necessária, mas isto não impede o povo de, apesar destas regras, escolher candidatos que estejam descomprometidos com a bandalheira que tomou conta de nosso país.

No meio do povo, destaca-se um segmento: os servos de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que são luz do mundo e sal da terra (Mt,.5:13.14).

O povo de Deus tem o dever de orar pelas autoridades e de ajudá-las (I Tm.2:1,2), devendo também pedir a direção do Senhor para bem escolher os seus candidatos, pois, ao contrário do ímpio, o servo do Senhor é uma pessoa que investiga e pesquisa as coisas (Sl.10:4).

Assim, é dever do servo do Senhor, em primeiro lugar, orar e jejuar pelo nosso país, para que o Senhor tenha misericórdia do Brasil e dê sabedoria aos nossos governantes e aos políticos em geral, para que eles encontrem soluções para a crise que nos tomou conta.

Em segundo lugar, usando do seu direito e dever do voto, o servo do Senhor nunca pode se omitir, deixando de votar ou anulando o seu voto. Faltar ao dever cívico do voto ou comparecer à urna e anular seu voto não é comportamento de um servo de Deus.

Quem não comparece para votar, sem justa causa, além de estar a descumprir uma norma legal (e resistir à autoridade é resistir a Deus – Rm.13:1,2), está se omitindo, deixando de dar a sua contribuição para o bem do país e isto é deixar de fazer o bem, podendo fazê-lo, que as Escrituras dizem ser pecado (Tg.4:17).

Quem anula o seu voto está mentindo, pois comparece à urna para votar, dando a impressão que está a fazê-lo, mas não o faz, enganando, assim, a todos, o que nada mais é que mentira e os mentirosos não têm parte com Deus, mas, sim, com o inimigo de nossas almas, o pai da mentira (Jo.8:44; Ap.21:8; 22:15).

Além do mais, quem deixa de votar injustificadamente ou anula seu voto está a dizer que concorda com tudo o que está acontecendo, omite-se de se mostrar contrário ao que ocorre e, assim, consente com tudo o que está sendo feito, fazendo-o digno de morte tanto quanto os que cometem os erros que estamos a observar (Rm.1:32).

Em terceiro lugar, na hora de votar, deve verificar três pontos principais, o que o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Anápolis/GO, denominou de “método PPP”, a saber:

  1. a) Partido – Devemos observar a que partido pertence o candidato, não votando em candidatos que pertençam a partidos que apoiem ideias que contrariem a Palavra de Deus, como partidos que defendam o comunismo, o aborto, o homossexualismo, a ideologia de gênero, o maltrato aos valores familiares, medidas contrárias à liberdade de culto e de crença etc. No caso de candidatos a deputado estadual e deputado federal, verificar se os partidos destes candidatos estão coligados a partidos que defendam aquelas ideias, pois votar neles será o mesmo que votar naqueles partidos.
  1. b) Pessoa – Devemos observar o histórico dos candidatos, não votando em candidatos que descumpriram promessas anteriores de campanhas, que estejam envolvidos em escândalos de corrupção, ainda que não tenham sido processados ou condenados, pois o eleitor não é juiz nem policial. Governantes devem não só ser honestos como parecer honestos, lembrando, ademais, que, infelizmente, há um grande movimento para “inocentar” pessoas comprovadamente corruptas em nosso país. No atual quadro do país, devemos evitar votar em pessoas que estejam exercendo cargos na atualidade, a menos que, comprovadamente, tenham lutado a favor do combate à corrupção e dos valores que estejam de acordo com a Palavra de Deus. O Brasil está a exigir renovação e renovar não é apenas votar em “gente nova”, mas em pessoas “realmente novas”, pois há muitos políticos lançando parentes e assessores para enganar os eleitores. Os candidatos que se digam “evangélicos” precisam ser também muito bem analisados, inclusive no que concerne à sua vida cristã.
  2. c) Programa – Devemos observar qual é o programa dos candidatos, o que eles defendem, quais são as suas propostas e ideias. Quando se tratar de pessoas que já estão na política, verificar se os seus programas e as suas promessas correspondem às decisões que já tomaram aos votos que proferiram. Não adianta alguém agora dizer que é contra o aborto se, durante toda a sua vida, apoiou ou nada fez contra as tentativas de se impor o aborto no Brasil.

Importantíssima eleição, aliás, é a do Senado Federal. Serão renovados dois terços dos senadores, votaremos em dois candidatos para o Senado, e há uma grande necessidade de ampla renovação do Senado, pois são os senadores, inclusive, que podem destituir ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio Presidente da República, sendo, portanto, um órgão importantíssimo e que não pode continuar sendo considerado como “ninho de corruptos” e fonte de pressão sobre o Poder Judiciário.

Oremos pelo nosso país, mas façamos a nossa parte, votando certo e votando bem.

 

Caramuru Afonso Francisco

Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo e colaborador do Portal Escola Dominical (portalebd.org.br)  

Última modificação em Sexta, 21 Setembro 2018 15:29

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