Elias tinha poder sobre a água e o fogo?

Escrito por  Antonio Mardonio Set 26, 2018

Quando lemos 1 Reis 17.1: “Então, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: ‘Vive o Senhor, Deus de Israel,

perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra’”, entendemos, aparentemente, que Elias tinha o poder de determinar o tempo que desejava para que chovesse. No entanto, quando deixamos de lado o texto e recorremos ao contexto, o cenário muda, conforme registram os versículos 2 a 4: “Depois, veio a ele a palavra do Senhor, dizendo: ‘Vai-te daqui e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem’”.

Como entender este contexto em 1 Reis 17.1-4? Concluímos que Israel estava mergulhado na idolatria, por causa do paganismo implantado por Jezabel, esposa do rei Acabe. Isso incomodou Elias, que temia a Deus e recebera uma porção do Espírito do Senhor em sua vida. Então no ímpeto deste poder compareceu perante Acabe e falou-lhe sobre o que aconteceria nos próximos anos, sem determinar exatamente o prazo. Ele foi somente o porta-voz de Deus que o mandou falar com o rei de Israel sobre o período de seca. Como prova disso, vemos o Senhor ordenar que ele se escondesse junto ao ribeiro, para que não morresse de fome e nem de sede.

O ribeiro secou. Então Deus ordenou-lhe que fosse a Sarepta, a fim de ser sustentado por uma viúva. Quando ele chegou a casa dela, ainda havia água, mas a comida era apenas um punhado de farinha que ela utilizaria para fazer um pequeno bolo para si e seu filho, e, em seguida, morrerem de fome. O profeta, novamente fala em nome de Deus e diz-lhe que durante a escassez não faltará azeite na botija e nem farinha na panela, “até o dia em o Senhor dê chuva sobre a terra” (v. 14). Percebemos que Elias também sofreria em consequência da seca, mas dependia somente de Deus o retorno das águas. Ficou no aguardo da ordem expressa do Senhor para retornar a Israel, a fim de orar pelo fim da estiagem.

1 Reis 18.1 afirma: “E sucedeu que depois de muitos dias, a palavra do Senhor veio a Elias no terceiro ano, dizendo: ‘Vai e mostra-te a Acabe, porque darei chuva sobre a terra’”. Concluímos que não foi a vontade de Elias que prevaleceu, para não chover, mas a soberania do Todo-poderoso que determina todas as coisas mediante sua vontade. Passaram-se três anos e meio, tempo suficiente para que toda a nação de Israel entendesse que só o Senhor é Deus, e não Baal e as outras divindades importados do Líbano, terra natal de Jezabel. Neste período, o profeta foi procurado em toda a parte do país e nas nações vizinhas, e não foi achado, pois se encontrava na casa de uma viúva, onde ninguém podia imaginar que ele estivesse.

Elias retorna a Israel, e comparece perante Acabe, que o considera perturbador da nação. Após matar todos os falsos profetas, o homem de Deus cumpre sua palavra que dissera três anos e meio atrás (1 Rs 17.1). Mas não dependeria dele, mas da vontade do Senhor que o mandou de volta, a fim de determinar o retorno da chuva: “Então, disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque ruído há de uma abundante chuva” (1 Rs 18.41). Mas não dependeu desta palavra dele para que chovesse e sim de sua oração clamorosa: “E Acabe subiu a comer e a beber; mas Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou por terra, e meteu o seu rosto entre os seus joelhos” (1 Rs 18.42).

lApós clamar sete vezes, surgiu uma nuvem no tamanho de uma mão humana. Então, manda seu moço dizer ao rei que volte imediatamente ao seu palácio, a fim de não ser apanhado pela grande chuva: “E Sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro e foi para Jezreel” (1 Rs 18.45). Tiago completa este contexto quando escreve: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto” (Tg 5.17,18). Concluímos que Elias não mandava chuva e nem fogo, mas, sim, era um servo do Senhor seu Deus.

 

Pr. Antonio Mardonio

Editor-chefe     

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