FAESP celebra com palestras os 501 anos da reforma protestante

Escrito por  Ceifeiros Web Nov 01, 2018

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou as 95 teses na porta da capela de Wittenberg e tornou-se o símbolo da Reforma Protestante

Pontualmente no dia 31 de outubro, as 19h30, a FAESP (Faculdade Evangélica de São Paulo), promoveu palestras para os alunos e convidados em um dos auditórios da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém. Cerca de 100 pessoas compareceram para ouvir os renomados palestrantes que trouxeram valiosa reflexão sobre este fato histórico que mudou os rumos da igreja cristã e que mesmo após cinco séculos é tema polêmico entre católicos e protestantes. A coordenação da FAESP convidou os professores Ev. Caramuru Afonso Francisco, Dr. em Direito Civíl e professor da instituição; Esdras Costa Bentho, escritor, Mestre e Doutorando em Teologia e o Pr. Antonio Mardonio Vieira, Teólogo, 1º Vice-diretor do Ceifeiros em Chamas e professor da FAESP.

Mardonio

Pr. Mardonio ministrando aos alunos; ao lado Pr. Esdras Costa Bentho, Ev. Caramuru Afonso e Pr. Anísio Dantas, diredor da FAESP

A palestra teve como ponto de partida o movimento que antecedeu a Reforma Protestante conhecido como Pré-Reforma, bem como os fatores que o impulsionou. Coube ao Ev. Caramuru Afonso Francisco, o qual é professor da instituição, falar sobre este movimento, os locais onde ocorreu e quem o representou. Personalidades como Pedro Valdo e os Valdenses (1140-1220), na França; John Wycliffe (1328-1384) na Inglaterra; Jan Hus (1369-1415), seguidor de Wyclife, na Boêmia; Jerônimo Savonarola (1452-1498), Florença, Itália. Todos se opuseram as práticas e ensinos adotados pela igreja, os quais privilegiavam o clero e enganavam os fiéis. Estes, dentre outros, pagaram com a própria vida, como Jan Hus e Savonarola, por exemplo, mortos em fogueiras.

Caramuru

A Pré-Reforma foi o tema do professor Caramuru Afonso Francisco

O segundo tema apresentou o homem que se tornou símbolo da Reforma Protestante, Martinho Lutero (1483-1546), com a temática O Legado de Lutero Para a Igreja Contemporânea - A Interpretação da Bíblia e Sola Scriptura, assunto abordado pelo Mestre e Pr. Esdras Costa Bentho. Ele tratou das técnicas que Martinho Lutero adotou para traduzir a Bíblia passando pela teoria hermenêutica antes de Lutero, na antiguidade Clássica, na Idade Média e na Alta Idade Média. Esdras informou que Lutero herdou o quadrilátero hermenêutico que se resume a analisar o texto sobre quatro métodos diferentes: Literal, Alegórico (pneumatológico), Tropológico (parenético) e Anagógico (escatológico).

O professor Esdras disse que “Lutero, rompe com a tradição hermenêutica de sua época porque estava interessado em compreender as Escrituras sem interferir nos resultados da exegese. Lutero via no sentido literal a forma eficaz e simples como o Espírito Santo havia transmitido a Palavra de Deus”. Esdras Bentho citou frase do reformador. “O Espírito Santo é o escritor mais simples que existe no céu e na terra. Razão pela qual também as suas palavras não podem ter senão sentido simples, o qual chamamos o sentido escrito ou literal”. 

A terceira e última palestra da noite abordou outros aspectos da Pré-Reforma como os fatores religiosos, como por exemplo, a venda e objetos sagrados e indulgencias e socioeconômicos, que se expressava com o desejo das nações europeias de libertar-se do domínio papal por conta dos elevados impostos cobrados pela igreja de Roma. Outro assunto tratado foi o movimento que ficou conhecido como Contrarreforma, o qual atuou em duas vertentes: Lutar contra os protestantes e promover a fé católica. O Pr. e Teólogo Antonio Mardonio pontuou a rivalidade entre católicos e protestantes em toda a Europa. Mardonio destacou o massacre de três mil cristãos Huguenotes em Paris ordenado pela Rainha mãe, Catarina de Medici. O fatídico evento ficou historicamente conhecido como a Noite de São Bartolomeu. Mardonio explicou que hoje, a diferença entre católicos e protestantes está nas seguintes questões doutrinárias. “Os católicos abandonaram a venda das indulgências e reafirmaram suas doutrinas na seguinte ordem: Tradição, dogma e Bíblia, enquanto nós protestantes firmamos: Bíblia, dogma e tradição”. O Pr. Mardonio concluiu sua fala citanto os cinco pilares da Reforma em Latim: Sola Gratia ( Somente a Graça), Sola Scriptura (Somente as Escrituras), Sola Fide (Somente a Fé), Solus Christus (Somente Cristo), Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória).

Esdras Bentho

O Legado de Lutero foi o tema do Pr. Esdras Costa Bentho

Autógrafo

Escritor de livros publicados pela CPAD, Esdras Costa Bentho atendeu carinhosamente aos alunos autografando suas obras

Após o término das palestras, encaminhamos uma mesma pergunta aos três palestrantes, para saber se do ponto de vista de cada um deles as igrejas evangélicas da atualidade precisam de uma nova reforma? O Ev. Caramuru respondeu que “Não há espaço para uma reforma como a realizada há 501 anos, pois temos várias igrejas e não apenas uma como naquele tempo. Vivemos dias finais de nossa dispensação de modo que não haverá reforma, mas arrebatamento. É preciso haver quebrantamento e retorno as Escrituras”. O Pr. Esdras Bentho disse que “Precisa, mas não é mais possível da forma como foi no passado. A reforma agora deve passar pelas pessoas e não pelas instituições”, afirmou. Já o Pr. Mardonio respondeu que “Sim, pois a cada 100 anos desde a Reforma, houve um avivamento para a sustentação da Reforma Protestante”. Perguntado se esta reforma é na esfera institucional ou pessoal, Mardonio reiterou que a necessidade de uma reforma hoje é na esfera institucional.

Estiveram presentes na coordenação do evento dos 501 anos da Reforma Protestante o diretor da FAESP, Pr. Anisio Dantas, o Ev. e secretário Anderson e o Ev. Ernesto G. Iasulaitis, professor titular da instituição. Ernesto foi o mediador das palestras. Foram convidados o maestro Albino Carlos e a pianista Ruth Perez. Eles fizeram a abertura da palestra com dois hinos, o primeiro foi o de número 124 da Harpa Cristã, que tem por título Adoração. O segundo foi a famosa canção Castelo Forte de autoria de Martinho Lutero, o qual consta na Harpa Cristã e no Cantor Cristão, hinários tradicionais dos cristãos.

 

“Se quiseres interpretar bem e com segurança, contempla a Cristo, pois este é o homem ao qual se aplica exclusivamente tudo”. (Martinho Lutero)

Última modificação em Quinta, 01 Novembro 2018 17:11

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