Pedro Henrique concentrado para disputar os 100 e 200 metros durante o Campeonato Paulista de Paratletismo Pedro Henrique concentrado para disputar os 100 e 200 metros durante o Campeonato Paulista de Paratletismo Ornellas Produções

Superação: Jovem vence paralisia através da fé e do esporte

Escrito por  Ceifeiros Web Dez 04, 2019

Pedro Henrique Santos Silva, membro da AD Belém em São Paulo, superou paralisia cerebral e entrou para o Comitê Paraolímpico Brasileiro, na modalidade paratletismo, em provas de 100 e 200 metros.

Superação: ato de exceder, de ultrapassar. Palavra que faz parte do vocabulário do jovem Pedro Henrique Santos Silva, 17 anos, membro da igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém em São Paulo e integrante do CAAD (Conjunto de Adolescentes da Assembleia de Deus). Pedro nasceu prematuro, com oito meses, e um ano depois foi diagnosticado com paralisia cerebral e sequelas no desenvolvimento motor. Giseli Cristina, mãe de Pedro, explica o motivo que levou ao conhecimento da paralisia quando o menino já estava com um ano e dois meses. “Foi exatamente quando ele precisou executar determinadas funções como sentar, engatinhar e não conseguiu fazer; aí procurei ajuda médica e tive o diagnóstico dele”.

Chocada com a condição de saúde de seu filho, Giseli demonstrou preocupação com o futuro. “Enquanto bebê, as diferenças não eram aparentes; mas, conforme foi crescendo, as dificuldades na escola com aprendizagem, locomoção, tratamento, deram-me a percepção das barreiras que ele teria ao longo da vida”, disse. Pedro estava condicionado a uma vida cheia de restrições. Foi submetido a três cirurgias ortopédicas e outros procedimentos para corrigir deformidades de postura. “Há três anos o Pedro fez uma cirurgia bem complexa no fêmur, na qual os médicos colocaram placas e pinos para corrigir a perna direita, que é o lado do corpo dele que ficou comprometido”, explicou Giseli, que é professora de espanhol.

Medalhas

Nutricionista Dra Luciana Rossi, Pedro e sua mãe, Giseli. Na mesa, as medalhas testemunham que o trabalho em equipe, dá resultado

Outro drama que Pedro enfrentou foi com as escolas. Pedro Henrique frequentou quatro colégios até chegar ao Instituto de Educação Cruz de Malta, escola que finalmente respeitava as leis de inclusão e que faz um trabalho diferenciado com o jovem desde o segundo ano do ensino fundamental até o momento. O bullying foi outra barreira que Pedro precisou superar. Giseli relatou que ele sofreu com o bulliyng em todas as escolas que passou. “O Pedro é muito sociável, gosta de fazer amigos, mas, por conta das deficiências, ele enfrentou bloqueios, restrições. Graças a Deus, na igreja sempre foi muito bem-acolhido; mas, nas escolas, teve muita dificuldade de se inserir em um grupo e realizar coisas que os outros faziam”.

 

O esporte

Pedro demonstrou ter habilidades nas aulas de educação física. Seu esforço em fazer as atividades com dedicação chamou a atenção do professor. Giseli assegura que esta descoberta veio no momento certo. “O esporte surgiu na pior fase da vida dele, que é a adolescência; fase de dúvidas, dificuldade de auto aceitação devido ele ter dificuldade de se inserir em um grupo. Pedro nunca foi proibido de fazer atividade física; sempre permiti que ele se lançasse em tudo e experimentasse, para que testasse seus limites; o que pode, o que não pode, o que consegue e o que não consegue. O professor Lorenzo, de educação física, sempre me alertava que ele tinha habilidades para o esporte, que se dedicava muito, mesmo com todas as dificuldades. Foi então que comecei a procurar esportes adaptados que ele pudesse praticar até que surgiu o Comitê Paraolímpico Brasileiro com a proposta do projeto de escola de esportes para deficientes.

Pedro fez a escolha pela modalidade que sempre gostou: corrida. Foi inscrito, passou a treinar, a competir e hoje já coleciona sete medalhas de várias competições: Campeonato Paulista de Atletismo, Circuito Regional da Caixa, Copa Nescau, Jogos Escolares do Estado de São Paulo e a próxima competição será em fevereiro de 2020 no Circuito Regional da Caixa. Esta competição permite ao atleta pontuar para subir no ranking do Comitê.

Pedro competindo

A fé

Pedro tem muita fé. Tornou a sua confissão pública em 2018, quando decidiu batizar-se em águas. “Pedro é muito sensível; ele ora, fala de Deus para os amigos e está sempre, mesmo inconscientemente, testemunhando da sua fé de forma bem natural para as pessoas. Ora o tempo todo, ora por tudo, já compreendeu que para conseguir qualquer coisa o caminho é pedir ao Senhor. Ele também é bem-compreensivo; quando vai competir ou em outras questões, quando não recebe a vitória, compreende que não era a vez dele; entende que Deus tem o momento certo para que as coisas aconteçam. Ele confia mesmo!”, disse Giseli, orgulhosa.

Se o conceito de superar é ultrapassar, o jovem Pedro tem feito isso muito bem. Ultrapassou as limitações físicas, o bullying nas escolas, e agora já é atleta de base do Comitê Paraolímpico Brasileiro desde novembro. Participa de várias competições de nível escolar e de nível profissional com atletas formados. Como todo jovem, Pedro tem muitos sonhos. “Quero ser um grande atleta e profissional, viver na presença de Deus, formar a minha família, são meus sonhos”, disse Pedro Henrique.

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Última modificação em Segunda, 09 Março 2020 12:33

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