Mea culpa

Escrito por  Geisel de Paula Jul 09, 2020

Passados cem dias do início da pandemia precisamos começar a refletir como será o cristianismo após o surto.

A primeira reação que costumamos ter é de colocar a culpa em algo ou alguém. Isso é natural do ser humano desde o Éden. O “a mulher que tu me deste” não sai da nossa boca. Realizamos a transferência de culpa, ainda mais quando você não sabe direito a quem culpar. Em I Pedro 4:17 diz “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus”? Essa é uma questão importante que precisa ser respondida.

Se o nosso Deus é juiz, porque achamos que ele o é só para os outros e não para nós mesmos? O profeta Ezequiel diz que o julgamento deve começar pelo santuário. Agora nem todo julgamento é para condenação. Nós cristãos, acreditamos que estamos livres da condenação do inferno graças ao sangue vertido na cruz do calvário, mas todos passaremos pelo julgamento das obras que revelará nossa verdadeira motivação em servir ao Senhor. A pergunta não é de quem é a culpa pela atual situação do mundo na pandemia, mas o que Deus está querendo mostrar com isso. Deus se revela o tempo todo. Existe a história feita por homens e a história que Deus conduz. Essa não é a primeira pandemia que a igreja atravessa; houve outras, e sabe o que aconteceu? O evangelho cresceu em meio ao caos. Ed Rene Kivitz contou em um de seus sermões que a culpa de José ter sido vendido como escravo era 100% de responsabilidade de seus irmãos. Mas José vai dizer anos mais tarde que Deus o conduziu naquele caminho. Entendem? Os irmãos intentaram o mal, mas Deus transformou em bem.

Uma coisa que aprendi de um pastor é que se você culpar o outro, a solução do problema deverá vir do outro; mas quando você culpa a si mesmo, a solução pode partir de você. Isso é forte! Você já se perguntou se a igreja tem parte na culpa? Você já fez um exame no seu coração? A palavra da ceia diz “quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Achamos que estamos imunes, mas não estamos. Temos visto irmãos e irmãs morrerem desse vírus maldito. Postamos versículos que praga alguma chegará em nossa tenda, assim como aconteceu com os israelitas no Egito, mas isso não é uma regra. Quero lembra-los do grande incêndio de Roma, em 18 de julho de 64 d.C. que destruiu dez das quatorze zonas da antiga cidade, coincidentemente os bairros não atingidos eram onde moravam os cristãos. Providência divina. Será? Após esse episódio Nero colocou a culpa do incêndio nos cristãos (conveniente, né?), eles foram duramente perseguidos, mortos comidos por feras no coliseu e incendiados em postes para iluminar as ruas nas noites de Roma.

A igreja precisa olhar para dentro e fazer o mea culpa, os líderes precisam rever as bases da instituição onde estão à frente; e cada um de nós, cada cristão, deve falar ao Senhor como os discípulos na última ceia: “Por acaso sou eu Senhor”? Assim, quem sabe nós sairemos melhores e mais fortes de quando entramos neste caos. Que Deus tenha misericórdia de nós para termos a humildade de reconhecermos nossos erros e nos convertermos ainda mais ao Senhor.

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